quarta-feira, 22 de agosto de 2012


“De repente, a gente se separou. Eu tinha ainda uma lista de planos escondida na gaveta. De vez em quando eu pegava e riscava dela algo que tivéssemos realizado. Você nunca soube dela, assim como nunca soube de como foi difícil dormir depois do nosso primeiro jantar ou de quantas vezes errei a hora achando que você, finalmente, me pediria em namoro, conheceria a minha família e me levaria até a sua. Havia uma porção de bobagens na lista também, coisas como conhecer a Tailândia contigo. Eu faço dessas coisas, mas foi estando com você que aprendi a não fazer. Parei, não toco mais naquela lista, não relembro os planos, não risco nada. Porque, de repente, meu querido, a gente se separou. E você saiu com cara de quem queria chorar, enquanto eu sai com cara de culpada, mas nem uma coisa e nem a outra nos justificavam. É como saber que o teatro de um “adeus” é sempre mais poético, apesar de nunca salvador. A lista ainda não vai para o lixo, tenho medo pegar ela em mãos e descobrir que tudo aquilo não terá graça sozinha ou com o próximo que arrombar essa porta, mas isso é tão improvável, eu sou tão inalcançável como você gostava de falar, mas tanto conseguiu alcançar. De repente, a gente encontra os pedaços pela cidade. Ou não. Ou sim. De repente… Depende.”

Camila Costa

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