segunda-feira, 17 de setembro de 2012


“O coração é safado. Tonto demais. Bobo ao extremo. Ordinário pra caramba! Tenta nos enganar e fazer jogo. Jogo sujo. Dá golpes baixos. É chantagista. Da pior espécie. Quinta categoria. O coração tem vontade própria. Bem que tentamos manipulá-lo e dar as coordenadas…mas o danado não obedece! Nos esforçamos para dar a melhor educação, poxa, nos empenhamos para isso! Mas o coração continua burro. Pateta. O coração já bateu com a cabeça na parede, machucou e voltou semi-novo. Já foi atropelado e voltou recuperado. Foi devolvido. Foi desejado. Acalentado. Bem quisto. Amado. Aquecido. Iluminado. Enaltecido. Usado. Abusado. Colorido. Preto e branco. Xadrez. Foi assassinado e ressurgiu das cinzas. Ele não aprendeu com os erros. Se entrega. Se dá. Já foi derrubado, espinafrado, estrangulado e esfaqueado. Vestido. Despido. Coberto. Descoberto. Feito de palhaço. Virou um bagaço. Partido. Quebrado. Despedaçado. Desmontado. Amassado. Remodelado. Colado. Costurado. Remendado. Tricotado. Bordado. Selado. Invadido. Possuído. No coração cabe um e cabe um milhão. É grande. E pequeno. É um. São dois. É ignorante. Nobre. Vadio. Puro. Doce. Terno. Forte. Frágil. Intenso. Imenso. Feito de algodão-doce. E chocolate. É molengo como gelatina…e se derrete feito sorvete. Basta um sorriso. Um olhar. Um gesto. O coração morre. E renasce. Inventa. Aumenta. Esquenta. E ainda faz tum-tum, mesmo capenga!”

Coração - Clarissa Corrêa

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